Sérgio Moro, o Mito do Intocável.
O maior feito do Juiz Sérgio Moro e de toda a geração de agentes federais da atualidade, não foi a Operação Lava Jato, aliás, esse foi apenas o desdobramento natural do enfrentamento perfeito. A grandiosidade de suas ações não está restrita finalísticamente à algemas e penas, nem tampouco, ligada a queda de regimes políticos de ideologia qualquer, o maior legado e contribuição para humanidade reside na queda do Mito do Intocável.
Palavras-Chave: Sérgio
Moro, Polícia Federal, Lava Jato, Ideologia, Mito, pós-verdade, Nobel da Paz.
ABSTRACT
Sérgio Moro, the Myth of the Untouchable.
The greatest achievement of Judge Sérgio Moro, and all the generation of federal
agents of the present time, was not Operation Lava Jet, incidentally, this was only the
natural unfolding of the perfect coping. The grandiosity of its actions is not strictly
confined to the shackles and feathers, nor is it linked to the fall of political regimes
of any ideology, the greatest legacy and contribution to humanity lies in the fall of the
Myth of the Untouchable.
Keywords: Sérgio Moro, Federal Police, Lava Jet, Ideology, Myth, post-truth, peace Nobel.
Sabe
com quem está falando?
O
Brasil vem sendo saqueado não é de hoje, desde seu descobrimento, prevalece à
lei do mais forte e para o mais forte, do mais influente, do mais rico ou do
politicamente intocável. Sistemas políticos e formas de governo que, mesmo
escondidas sobre o véu republicano, foram construídos detalhadamente para
servir a pequena parcela dominante deste país.
De
Cabral de 1500 à Cabral de 2016, o Brasil perpetuou, proliferou e mistificou
uma de suas culturas mais viscerais, aquela que o levou por diversas vezes ao
fundo do poço, a cultura do intocável.
Essa
cultura esteve a serviço da classe dominante de todas as ideologias que
ascenderam ao poder, do fascismo institucional ao autoritarismo legal, todas as
tendências que sentaram no trono, beneficiaram-se da condição do intocável para
cometer atos que nem de longe visavam à sociedade e o bem comum, atos esses de
conhecimento geral, protegidos e assegurados pela alienação consensual que o
Mito do Intocável disseminava.
A
corrupção no Brasil foi assentada sobre o Mito do Intocável, aquele que
condicionava aos seus praticantes duas certezas, a prosperidade e a impunidade.
Benefícios esses que garantiam a manutenção do saque, mesmo com a alternância
de poder, o Mito permanecia vivo, não importa a ordem, importa quem dá a ordem
e quem a recebe, essa filosofia de vida criou gerações de brasileiros propensos
ao ilícito legal, práticas repassadas e continuadas de pai para filho, mantendo
uma casta seleta protegida pelo Mito a serviço do bel -prazer.
A
virtude de um Nobel da Paz reside na prática de ações que visem o renascimento,
a esperança, a revolução cultural, prática, moral e filosófica de uma
determinada nação. O feito no Brasil esta além de uma ação penal-administrativa
ultrapassou uma barreira cultural de 500 anos, ultrapassou fronteiras
conferindo o mais puro sentido do pensamento kantiano, balizado pelo
esclarecimento, fecundado na razão e na universalização de seus atos.
Desta
forma, vislumbrar a indicação de Sérgio Moro ao prêmio Nobel da Paz, ampara-se
na história de nações que chegaram ao fundo do poço e foram obrigadas a se reinventar
através de rupturas traumatizantes, guerras, revoluções, levantes, países que
das cinzas renasceram para potências intercontinentais, porém, o feito do indicado
remete à feitos ainda desconhecidos, ao horizontalizar a pirâmide proletária de
Marx, proporcionou mais que um recomeço cultural de uma nação, ao desmistificar
as entranhas da casta dominante e trazê-los para o mesmo patamar jurídico de
seus dominados, Sérgio Moro promoveu o inimaginável.
Ações
positivas que hoje unem nações e promovem uma inédita cooperação intercontinental
onde, ilhas antes redutos seguros do ‘‘ouro pirata’’, hoje cooperam em um
esforço global para passar a moral mundial a limpo.
Mais
do que uma operação, a Lava Jato representa toda uma geração que tem a
oportunidade de renascer culturalmente, socialmente e moralmente. Uma nação até
então ciente dos saqueadores, psicologicamente silenciada, doutrinada através
dos séculos para opor reação sobe a ameaça constante do Mito do Intocável.
De
fato Sérgio Moro promoveu um avanço de séculos e principalmente, um
renascimento pacificado, um rompimento sociocultural que deve ser perpetrado
para as novas gerações, ao desentranhar os saqueadores do estado brasileiro, evidenciou-se
o surgimento de uma nova era, a era da constitucionalização de fato da
sociedade brasileira, resgatando das sombras e trazendo para luz seu mais
célebre princípio, todos são iguais perante a lei.
Para
promover a revolução jurídica alçando a todos o braço da lei, foi preciso
coragem, determinação, conhecimento e uma geração diferenciada de agentes
federais. A soma desses fatores proporcionou o enfrentamento do Intocável, Mito
este composto por aqueles que formavam o maior conglomerado político-financeiro
do país, uma estatização esquemática que visava eternizar e continuar o
desmonte do bem comum, uma corja que aperfeiçoou a manutenção do Mito, de olho
em seus benefícios e seus beneficiários hereditários, algo de um surrealismo
criminoso incomparável.
Sérgio
Moro é Prêmio Nobel da Paz pelo conjunto da obra dessa geração, obra esta que
só foi possível após a superação de um dos maiores ‘‘bens culturais’’ deste
Brasil, herança propositalmente repassada e fortalecida durante gerações para
manter a horda independente do biltre que dele tivesse acesso, o vilão
silencioso que eternizou-se nas sombras do poder, este vilão hoje utiliza
tornozeleira eletrônica, tem um número
de identificação, 3 refeições por dia e 2 horas de banho de sol, hoje, o vilão de
seu habitat conjuntural estabelecido, vivencia a realidade dos saqueados
outsiders, e cabe a apreciação filosófica dessa nova era para compreender que o
maior feito do Juiz Sérgio Moro e sua ‘‘liga’’ extraordinária, foi promover a
queda do Mito do Intocável.
Ferreira,
Flavio - Curitiba, 24 de março de 2017
#MORODAPAZ



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