Perdão foi feito pra se pedir, Resta saber a quem!
Por Cláudio Vitorino de Aguiar
O PPS, do qual integro seu Diretório Nacional, rompeu com o governo Lulla em dezembro de 2004, lançando um documento em que marca sua posição, "Sem Mudança, Não Há Esperança". Posicionando-se como Partido reformista contra um governo que nada queria reformar. Alguns ficaram, como Ciro Gomes, então ministro da Integração Nacional. Preferiram o "aparelho de Estado" a uma postura política oposicionista.
Quando da irrupção do escândalo do "Mensalão", no primeiro semestre de 2005, em que o caráter do governo era revelado de forma insofismável, bem como seu criminoso projeto de Poder, o PSDB, o mais importante partido de oposição, entre a luta pelo impeachment de Lulla e a acomodação obsequiosa, imaginando que a desmoralização pública de seu governo seria suficiente para vencê-lo em 2006, escolheu "esquivar-se ante a possibilidade do soco", e deu no que deu... Mais quatro anos de Lulla e mais um esquema criminoso que contaminou toda a estrutura do Estado.
O PSDB teve, no primeiro governo Lulla, a oportunidade de desferir um golpe mortal no PT, mas preferiu, fazendo jus a seu epítome de "oposição de punhos de renda", a prevaricação de seu papel de partido de oposição, coonestando com um governo corrupto, capaz de qualquer coisa para se manter no poder, como somos testemunhas!
Assim, a primeira desculpa que o PSDB deve é a seus eleitores e à cidadania em geral, de ser um fracasso como partido de oposição e ter sido corresponsável por essa tragédia que se abateu sobre todos, e do qual vamos passar, pelo menos, dez anos para superá-la.
A de ser um projeto de Social-Democracia emasculado, que se subordinou ao populismo mais vil e agressivo, tornando-se um "termo" da equação do Lullopetismo, que levou ao próprio colapso do sistema político-partidário, justamente por seu "silêncio obsequioso" e "auxílio luxuoso", a ponto de todos seus mais importantes quadros, eu digo TODOS, estarem comprometidos com esses "mal-feitos" que fazem parte do legado dos governos do PT, que comprometeram o processo democrático e os valores da República!
De meu ponto de vista, como faço parte de uma outra vertente de esquerda que o Partidão representa, vejo esse artigo de Sérgio Fausto, superintendente-executivo da Fundação FHC, “Polarização estéril e perigosa”, publicado no Estadão (05/05/2017), como mais uma forma de comiseração, de repetido posicionamento evasivo, balançando uma bandeira branca para um partido que não respeita nada, nem ninguém e cujo único propósito é tão somente com seu projeto de Poder, que como disse José Dirceu, assim que saiu da cadeia, deve retomar tal proposta com um "giro à esquerda"...
Depois o PSDB deve pedir desculpas a todos os que acreditaram que era um partido que tinha um projeto reformista efetivo, compromissado com a realização de um processo de desenvolvimento econômico nacional, integrando Regiões e buscando a decisiva participação dos trabalhadores a uma sociedade que tivesse como Norte a equidade e a fraternidade, ampliando e aprofundando o processo democrático e resgatando os feridos valores da República.
Mais uma vez a intelligentsia do PSDB acena para um partido que já provou ser inimigo da Democracia e da República. Quando deveria compreender que estamos em meio a uma guerra de movimento, em que o mais importante é isolá-lo, debilitá-lo, e por meio de uma estratégia de "cerco e aniquilamento", reduzi-lo a insignificância, para finalmente nos livrarmos desse fardo que pesa como um peso morto!
Ou, ainda não sabemos de que matéria é feito o PT? “Perdão foi feito pra se pedir”. Resta saber a quem!
P.S: Quem na Alemanha, na década de 30, imaginaria que seu futuro imediato estaria nas mãos de um reles cabo austríaco, que a levaria à máxima degradação e a transformaria em pó, com seus sonhos de grandeza, em nome dos trabalhadores alemães? Foi exatamente a covardia de muitos e um crasso erro político que possibilitou tal aberração...
Cláudio Vitorino de Aguiar



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